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Traineiras
É a evolução do barco de madeira simples a remos para
algo com cabine, porão e motor. Tem tamanhos variados e pesca sem se afastar
muito da costa.
Traineiras de madeira, há-as de muitas formas e feitios. Muitas são evoluções
dos barcos tradicionais portugueses, outras são resultado de adaptações mais ou
menos livres, que ocorrem da experiência dos Mestres, Patrões e Pescadores.
Existem unidades enormes ou pequenas traineiras que mais parecem de brincar.
No Tejo há embarcações destas que são praticamente uma canoa com motor e cabina.
As traineiras permitem a pesca com linha e anzóis, também chamada pesca por
palangre, em que se utilizam anzóis num fio de nylon que, por sua vez, está
preso a um aparelho designado por linha-mestre.
Este aparelho, cravado de anzóis, vai sendo largado pelo barco até que a linha
perfaça vários quilómetros de comprimento e desça até ao fundo do mar, onde
permanece algumas horas.
Após a captura do peixe, puxam-se as linhas para bordo.
O palangre pode classificar-se em dois tipos: de profundidade e de superfície.
O palangre de profundidade serve para pescar peixes que se encontrem perto do
fundo do mar, como por exemplo a pescada ou o bacalhau.
O de superfície serve para capturar peixes que vivam mais próximo da superfície,
como o atum e o peixe- espada.
Fragatas
A fragata é o mais conhecido barco do Tejo. Mas, face aos desafios da pesca
moderna, deixaram de ser utilizados e vêem-se apodrecer às dezenas barcos
espectaculares.
Foram substituídos por traineiras e outros barcos de pesca industrial.
Caíques
Os caíques são barcos com um grande passado. Faziam regatas, no Tejo, na década
de 60 do século XIX, organizadas pela Real Associação Naval.

Esses barcos herdaram uma característica importante, dos caíques tradicionais, o
aparelho de dois mastros com armação de bastardo, uma de cada bordo, podendo
navegar "em borboleta" quando com vento à popa.
Outra característica, igualmente com origem nos caíques tradicionais; os lemes
por dentro. Geralmente relacionados com o Algarve, os caíques tradicionais
subiram a costa portuguesa, tendo tido uma forte expressão em Cascais.
Hoje, à excepção do projecto de construção de réplica da Câmara de Olhão, não
existem caíques originais em Portugal.
Arrastões
Na pesca por arrasto
utilizam-se barcos designados por arrastões. Estes carregam uma rede em
forma de cone, que é arrastada pelos mares durante a faina. Esta rede é
segura por cabos e portas, que se mantêm abertas durante o arrasto.

Existem diversos tipos de arrasto, dependendo da espécie e do tipo de
arrastão utilizado, mas pode dividir-se em dois géneros: o arrasto de
profundidade e o de superfície.
O arrasto de profundidade utiliza-se para a pescada, o bacalhau, o
tamboril ou o linguado, que são peixes que vivem perto do fundo do mar.
O arrasto de superfície (ou de meia água) utiliza-se para pescar peixes
que se encontrem mais à superfície.
Usam-se vários tipos de redes, como as redes de cercar (que envolvem o
peixe pelos lados e por baixo) e as redes de emalhar e de enredar (onde
os peixes ficam emalhados e ou enredados).
Bacalhoeiros
Os bacalhoeiros tradicionais eram lugres, barcos com mastros (até
quatro) e iam pescar o bacalhau aos mares frios da Terra Nova.
Continham vários botes mais pequenos, chamados "dóris", as pequenas
embarcações a bordo das quais os pescadores iam para a faina (o bacalhau
pescava-se à linha, um a um!), regressando ao barco-mãe quando o dóri
estava cheio.
Baleeiras
Era hábito, por volta de 1750, os baleeiros americanos, sobretudo da
Nova Inglaterra, fazerem escala nos Açores e contratarem marinheiros
portugueses para a faina no alto mar. Esta relação entre os marinheiros
portugueses e americanos durou até 1920.
Alguns açorianos acabaram por emigrar para o Novo Mundo, outros
resolveram importar técnicas e estabelecer
negócio por conta própria.
Assim os botes, canoas ou flechas, foram inspirados nos que eram
utilizados na Nova Inglaterra (EUA) nos séculos XVIII e XIX.
As baleeiras portuguesas são essencialmente mais estreitas, mais leves e
mais rápidas.
Diz-se que a primeira baleeira construída nos Açores foi lançada à água
em 1896. Pouco tempo depois haveria mais de 60 baleeiras entre a ilha do
Pico e S. Jorge. No Faial e na Terceira também existem algumas
baleeiras.
Muletas
Apesar
da sua estranha aparência, a muleta é uma embarcação altamente equipada
para a pesca. Emprega redes tanto à deriva como no arrasto e é
perfeitamente adaptada ao seu trabalho.
A sua grande vela latina, num mastro inclinado para a proa (a parte da
frente), e o resto do seu equipamento de velejar dão-lhe uma enorme
propulsão.
Tem características pertencentes a três povos muito distanciados entre
si no tempo e no espaço:
- A proa eriçada de pontas de ferro é idêntica à de uma “nave longa”
normanda, couraçada, que se chamava jarnbardí.
- O olho pintado em vivas cores na proa é tradicionalmente
mediterrânico.
- O casco em forma de cuba e as derivas laterais lembram o hektjalk
oitocentistas dos Países Baixos
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